Observar divulgada 29 set Emprego confiança alta · fonte oficial
Desocupação repete 5,3% e trava, pelo segundo trimestre seguido, no piso do ano
- O que mudou
- O IBGE divulgou, em 29 de setembro de 2026, a PNAD Contínua: a taxa de desocupação do trimestre encerrado em agosto (junho a agosto) ficou em 5,3%, e a taxa de subutilização em 13,1%. O próprio release compara o resultado ao trimestre móvel encerrado em maio (5,6%), uma queda de 0,3 ponto percentual — mas é o mesmo nível de 5,3% já registrado no trimestre encerrado em julho, coberto na edição nº 2 deste caderno em 31 de agosto.
- Por que importa
- A desocupação parada na mínima do ano chega uma semana depois de a ata do Copom (divulgada em 22 de setembro, coberta na edição passada) projetar inflação de 5,2% para 2026, e quatro dias depois de o IPCA-15 de setembro vir acima do teto das estimativas — é um dos fatores que entra na conta de quão apertado está o mercado de trabalho.
- O que fazer
- Nenhuma ação imediata. Quem usa a taxa de desocupação como referência de oferta de mão de obra deve registrar que o indicador está estável no piso do ano, não em queda acelerada.
Leitura — opinião, não fato
A desocupação do trimestre encerrado em agosto repete os 5,3% do trimestre até julho — o segundo resultado seguido no piso do ano, não uma nova queda. Isso acontece uma semana depois de a ata do Copom projetar inflação de 5,2% para 2026, e quatro dias depois de o IPCA-15 vir acima do teto das estimativas de mercado. Para mim, um mercado de trabalho que para de ceder desocupação bem na hora em que a inflação medida sobe é um dos ingredientes que sustentam a cautela do Copom sobre o ritmo dos próximos cortes — não é só o fim do Bônus de Itaipu empurrando o preço da energia, é também uma oferta de mão de obra mais curta pressionando custo pelo lado do trabalho.
O que me faria mudar de ideia: a desocupação voltar a cair no trimestre encerrado em setembro, com divulgação prevista para 30 de outubro, sem nenhum choque claro de oferta de mão de obra por trás — indicaria que o mercado de trabalho não travou, e que a estabilidade em 5,3% foi um ponto isolado, não um piso.