Análise de Mercado · nº 7

A desocupação trava na mínima do ano
enquanto a indústria perde fôlego e o calendário fiscal vira operação

Macro e negócios com divulgação oficial atrás. O fato vem primeiro, com link e nível de confiança. Onde há leitura, ela vem num bloco marcado — porque opinião e fato não se misturam. Esta edição traz a desocupação repetindo o piso do ano, a indústria recuando no mesmo mês em que o preço ao produtor sobe, o fechamento do prazo de opção do Simples Nacional pelo IBS e pela CBS, o início da exigência de informar IBS e CBS na NFS-e, e a PEC do fim da escala 6x1 chegando ao plenário do Senado.

Segunda, 5 out 2026 Corte: 5 out, 08h BRT
6 itens · 6 com data · 3 com leitura
IBGE · Receita Federal · Senado

Abertura 1 semana confiança alta · releases oficiais abertos nesta apuração, exceto onde indicado

Dois sinais que não combinam saem do IBGE na mesma semana, e o calendário da reforma tributária deixa de ser aviso e passa a ser regra em vigor

O IBGE divulgou, em 29 de setembro, que a desocupação do trimestre encerrado em agosto ficou em 5,3% — o mesmo nível do trimestre encerrado em julho, registrado na edição nº 2 deste caderno, e o segundo resultado seguido no piso do ano. No dia seguinte, 30 de setembro, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) de agosto veio em alta de 0,36%, puxado por alimentos, revertendo a queda de 0,83% registrada em julho. Três dias depois, em 2 de outubro, o próprio IBGE informou que a produção industrial física (PIM-PF) de agosto caiu 0,6% frente a julho — produção recuando e preço ao produtor subindo, no mesmo mês.

No campo fiscal, o prazo para empresas do Simples Nacional escolherem o modelo de recolhimento do IBS e da CBS para o primeiro semestre de 2027 se encerrou em 30 de setembro; o último balanço da Receita Federal, publicado em 28 de setembro no site do Ministério da Fazenda, registrava 370.553 solicitações pelo Simples e 586.675 pelo regime regular do IBS/CBS. No dia seguinte à virada do mês, 1º de outubro, passou a ser exigido informar IBS e CBS na Nota Fiscal de Serviço Eletrônica (NFS-e) padrão nacional para a maioria dos serviços sujeitos ao ISS — com exceções até dezembro de 2026 e janeiro de 2027. O calendário político também anda: dois dias depois do primeiro turno das eleições gerais de 4 de outubro, o Senado pauta, para esta terça, o início do debate em primeiro turno da PEC do fim da escala 6x1.

O Banco Central continuou fora do alcance desta apuração — sem reunião do Copom nesta semana (a próxima é em 3 e 4 de novembro), e sem possibilidade de abrir o site para conferir normativos, o mesmo problema de JavaScript registrado nas edições anteriores.

Itens da semana

Observar divulgada 29 set Emprego confiança alta · fonte oficial

Desocupação repete 5,3% e trava, pelo segundo trimestre seguido, no piso do ano

O que mudou
O IBGE divulgou, em 29 de setembro de 2026, a PNAD Contínua: a taxa de desocupação do trimestre encerrado em agosto (junho a agosto) ficou em 5,3%, e a taxa de subutilização em 13,1%. O próprio release compara o resultado ao trimestre móvel encerrado em maio (5,6%), uma queda de 0,3 ponto percentual — mas é o mesmo nível de 5,3% já registrado no trimestre encerrado em julho, coberto na edição nº 2 deste caderno em 31 de agosto.
Por que importa
A desocupação parada na mínima do ano chega uma semana depois de a ata do Copom (divulgada em 22 de setembro, coberta na edição passada) projetar inflação de 5,2% para 2026, e quatro dias depois de o IPCA-15 de setembro vir acima do teto das estimativas — é um dos fatores que entra na conta de quão apertado está o mercado de trabalho.
O que fazer
Nenhuma ação imediata. Quem usa a taxa de desocupação como referência de oferta de mão de obra deve registrar que o indicador está estável no piso do ano, não em queda acelerada.

Leitura — opinião, não fato

A desocupação do trimestre encerrado em agosto repete os 5,3% do trimestre até julho — o segundo resultado seguido no piso do ano, não uma nova queda. Isso acontece uma semana depois de a ata do Copom projetar inflação de 5,2% para 2026, e quatro dias depois de o IPCA-15 vir acima do teto das estimativas de mercado. Para mim, um mercado de trabalho que para de ceder desocupação bem na hora em que a inflação medida sobe é um dos ingredientes que sustentam a cautela do Copom sobre o ritmo dos próximos cortes — não é só o fim do Bônus de Itaipu empurrando o preço da energia, é também uma oferta de mão de obra mais curta pressionando custo pelo lado do trabalho.

O que me faria mudar de ideia: a desocupação voltar a cair no trimestre encerrado em setembro, com divulgação prevista para 30 de outubro, sem nenhum choque claro de oferta de mão de obra por trás — indicaria que o mercado de trabalho não travou, e que a estabilidade em 5,3% foi um ponto isolado, não um piso.

Agência IBGE · PNAD Contínua — taxa de desocupação é de 5,3% e taxa de subutilização é de 13,1% no trimestre encerrado em agosto

Observar divulgado 30 set Preços confiança alta · fonte oficial

IPP de agosto sobe 0,36%, puxado por alimentos, e reverte a queda de julho

O que mudou
O IBGE divulgou, em 30 de setembro de 2026, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) de agosto: alta de 0,36% no mês, revertendo a queda de 0,83% de julho, com acumulado de 3,47% no ano e 2,53% em 12 meses. O maior impulso veio de alimentos (0,47 ponto percentual de contribuição), seguido por indústrias extrativas (0,18 p.p.) e metalurgia (0,14 p.p.); outros produtos químicos tiveram a maior influência negativa (-0,25 p.p.).
Por que importa
É o segundo mês seguido fora da deflação ao produtor, com alimentos como maior motor — e vem no mesmo mês em que a produção industrial física caiu, o que ajuda a situar se o movimento é repasse de custo ou reação a mais demanda (ver item seguinte).
O que fazer
Nenhuma ação imediata. Quem repassa preço pelo IPP deve isolar o efeito de alimentos e extrativas antes de tratar 0,36% como tendência geral da indústria.

Agência IBGE · Índice de Preços ao Produtor (IPP) é de 0,36% em agosto

Observar divulgada 2 out Indústria confiança média-alta · release do IBGE reproduzido por agência pública — ver Conferir

Produção industrial cai 0,6% em agosto, no mesmo mês em que o preço ao produtor sobe

O que mudou
O IBGE divulgou, em 2 de outubro de 2026, a Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF): a produção industrial física caiu 0,6% em agosto frente a julho, mas acumula alta de 0,6% em 12 meses. Entre os setores que subiram no mês estão produtos diversos (+8,4%), produtos químicos (+0,9%) e metalurgia (+0,8%).
Por que importa
É a confirmação, pelo lado da produção física, de que a indústria não estava simplesmente repassando custo para mais produto em agosto — ela produziu menos, no mesmo mês em que o preço na saída da fábrica (IPP) subiu 0,36%.
O que fazer
Nenhuma ação imediata. Quem acompanha capacidade ou fornecimento da indústria deve registrar a queda mensal sem ainda descartá-la como ruído de um único mês.
Conferir
O release original do IBGE sobre o PIM-PF de agosto não abriu diretamente nesta apuração — a busca não retornou o link em agenciadenoticias.ibge.gov.br. O número e os setores de destaque acima vêm da Agência Brasil, que reproduz o comunicado do IBGE na íntegra; vale confirmar no site do IBGE quando o link abrir.

Leitura — opinião, não fato

O IPP de agosto subiu 0,36%, puxado por alimentos, no mesmo mês em que a produção industrial física caiu 0,6%, segundo o IBGE. Preço ao produtor subindo e produção física recuando no mesmo mês, para mim, combina mais com repasse de custo do que com expansão de demanda — a indústria produzindo menos, mas cobrando mais caro na saída da fábrica.

O que me faria mudar de ideia: o PIM-PF de setembro vir positivo ao mesmo tempo em que o IPP desacelerar — indicaria que agosto foi um ajuste de estoque isolado, não o início de um padrão de estagnação com custo subindo.

Agência Brasil · Produção industrial cai 0,6% de julho para agosto, diz IBGE (reproduz release do IBGE)

Preparar prazo encerrado 30 set Tributos confiança alta · fonte oficial

Prazo do Simples Nacional para escolher o modelo do IBS e da CBS em 2027 se encerra

O que mudou
O prazo para empresas do Simples Nacional escolherem, para o primeiro semestre de 2027, entre o modelo "Simples Nacional puro" (todos os tributos no DAS unificado) e o "híbrido" (permanece no Simples mas recolhe IBS e CBS separadamente pelo regime regular) se encerrou em 30 de setembro de 2026. O último balanço da Receita Federal, publicado em 28 de setembro no site do Ministério da Fazenda, registrava 370.553 solicitações de opção pelo Simples Nacional (132.131 deferidas, 238.422 indeferidas, ainda dentro do prazo de 30 dias para regularização) e 586.675 solicitações pelo regime regular do IBS e da CBS. Quem não se manifestou até o prazo foi enquadrado automaticamente no modelo "puro".
Por que importa
Fixa o universo de empresas que vão operar sob um ou outro modelo de recolhimento já no primeiro semestre de 2027 — a decisão (ou a omissão) tomada até 30 de setembro define o ponto de partida, com nova janela de troca só em março de 2027.
O que fazer
Empresas do Simples que não se manifestaram já estão no modelo "puro" para o primeiro semestre de 2027; quem precisa mudar tem nova janela em março de 2027, mas só para o segundo semestre.

Ministério da Fazenda · Receita atualiza o balanço de solicitações de opção pelo Simples Nacional e pelo regime regular do IBS e da CBS

Ação em vigor desde 1º out Tributos confiança média · normativo reproduzido por veículos especializados — ver Conferir

Informar IBS e CBS na NFS-e passa a ser obrigatório para a maioria dos serviços

O que mudou
Desde 1º de outubro de 2026, passou a ser obrigatório preencher os campos de IBS e CBS na Nota Fiscal de Serviço Eletrônica (NFS-e) padrão nacional, para a maioria dos serviços sujeitos ao ISS, por força do Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4, de 30 de julho de 2026. Ficam de fora até 1º de dezembro de 2026 os serviços prestados por plataformas digitais e alguns subitens específicos (1.03, 1.05, 1.09 e 16.01), e até 1º de janeiro de 2027 as empresas optantes do Simples Nacional. Em 2026 não há regra de validação que rejeite automaticamente a nota por falta dessa informação, mas a ausência já configura desconformidade fiscal sujeita a fiscalização.
Por que importa
É a primeira obrigação de informação do IBS e da CBS com efeito prático fora de teste — mesmo sem rejeição automática em 2026, a empresa que não preenche o campo já fica exposta à fiscalização, não só à orientação.
O que fazer
Empresas de serviço que não estão nas exceções (plataformas digitais, subitens específicos e optantes do Simples Nacional) devem revisar, desde já, o preenchimento dos campos de IBS e CBS na NFS-e.
Conferir
O Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4/2026 está publicado em cgibs.gov.br, mas a leitura direta do documento nesta apuração não confirmou com segurança qual data vale para cada categoria de serviço. A data de 1º de outubro para a obrigação geral vem confirmada por duas fontes independentes (Contábeis e Brasil 61, ambas de 1º de outubro, citando o mesmo Ato Conjunto e a Receita Federal) — mas vale ler o normativo na íntegra antes de tratar a data como definitiva para o seu caso.

Contábeis · NFS-e: informações de IBS e CBS passam a ser exigidas em outubro Brasil 61 · Empresas de serviços começam a informar IBS e CBS na NFS-e a partir desta quinta (1º)

Observar sessões 6–8 out Trabalho confiança alta · fonte oficial

Senado pauta para esta terça o início do debate da PEC do fim da escala 6x1

O que mudou
O Senado marcou, segundo matéria publicada em 2 de outubro de 2026 pela própria Casa, sessões para 6, 7 e 8 de outubro, a partir das 14h, para iniciar a discussão em primeiro turno da PEC 221/2019, que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, com possibilidade de cumprimento em cinco dias de 8 horas e dois de descanso remunerado — um deles preferencialmente aos domingos, sem redução salarial. O texto foi aprovado na Câmara em dois turnos e, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, teve as 36 emendas apresentadas rejeitadas em setembro. O rito do Senado exige cinco sessões de discussão antes da votação em primeiro turno, e mais três antes do segundo turno.
Por que importa
Se aprovada, muda a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas para parte da força de trabalho no Brasil, com efeito direto sobre custo de mão de obra para quem contrata — mas o texto ainda depende de dois turnos de votação no Senado, cada um precedido de sessões de debate.
O que fazer
Nenhuma ação imediata. Quem dimensiona custo de mão de obra no Brasil deve acompanhar as sessões de 6, 7 e 8 de outubro antes de tratar a mudança de jornada como decidida.

Leitura — opinião, não fato

O Senado só pautou o início do debate para dois dias depois do primeiro turno das eleições gerais de 4 de outubro, embora o texto estivesse pronto desde maio — aprovado na Câmara em dois turnos — e tivesse passado pela CCJ do Senado em setembro sem nenhuma das 36 emendas apresentadas. Para mim isso é um sinal de que a presidência do Senado esperou deliberadamente o resultado do primeiro turno para calibrar o apoio à proposta antes de levá-la ao plenário, e não apenas uma questão de agenda legislativa lotada.

O que me faria mudar de ideia: o rito correr rápido — primeiro e segundo turnos concluídos ainda em outubro, dentro das oito sessões de debate previstas — indicaria que a pressa de aprovar pesou mais do que o cálculo eleitoral que pareço ver na data escolhida para começar.

Senado Notícias · Plenário analisa fim da escala 6x1 na terça-feira

O que este caderno faz, e o que não faz

Ele tem duas camadas, separadas de propósito. A camada de fato é a mesma do Boletim Salesforce: o que foi divulgado, por quem, em que data, com link e nível de confiança. A camada de leitura é opinião — vem sempre dentro de um bloco marcado Leitura, nunca misturada ao fato. Se não está num bloco de leitura, não é opinião minha: é o que a fonte diz.

  • A leitura não prevê número. Não diz onde a inflação, o juro ou o câmbio vão parar. Ela interpreta o que já foi publicado.
  • Toda leitura termina dizendo o que a contradiria. Se essa linha não estiver lá, o bloco não deveria ter sido publicado.
  • Não é recomendação de investimento, de crédito ou de decisão financeira. Para decidir qualquer coisa com um número daqui, confirme na fonte primária — os links estão em cada item.
  • O site do Banco Central continuou fora do alcance desta apuração, pelo mesmo problema de JavaScript registrado nas edições anteriores — e não houve reunião do Copom nesta semana para compensar a lacuna.
  • O release do IBGE sobre o PIM-PF de agosto não abriu nesta apuração; o item entrou com o número reproduzido pela Agência Brasil, marcado como confiança média-alta, com a ressalva no próprio texto.
  • O Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4/2026, sobre a NFS-e, foi confirmado por fontes secundárias, não por leitura direta e conclusiva do normativo nesta apuração; o item entrou com confiança média, com a ressalva no próprio texto.
  • Fonte paga fica de fora. Relatório de casa de análise, terminal e assinatura não entram — o que não dá para linkar, não entra.
  • Nada específico de cliente, em nenhuma edição de nenhum dos dois cadernos.